As férias escolares de julho devem trazer fôlego para bares e restaurantes do Rio Grande do Norte. De acordo com um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do RN (Abrasel-RN) entre os dias 22 e 30 de junho, 66% dos empresários esperam aumentar o faturamento durante o período tradicionalmente marcado pelo crescimento do turismo.
Entre os que esperam aumento do faturamento, 44% projetam uma alta de até 20% em relação a um mês comum. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o turismo do RN faturou R$ 131 milhões (com crescimento de 25% em relação a junho do mesmo ano), o otimismo se repete: 66% acreditam em resultados ainda melhores.
A alta temporada representa um alento para um setor que convive com margens apertadas e fragilidade estrutural. A pesquisa revela ainda que apenas 28% das empresas operaram com lucro em maio, enquanto 47% registraram estabilidade e 24% amargaram prejuízo. Além disso, 43% dos estabelecimentos possuem pagamentos em atraso, concentrados em impostos federais (83%) e estaduais (46%).
O presidente da Abrasel-RN, Thiago Machado, afirma que o movimento do mês de julho é um paliativo para o setor. “Mesmo com o otimismo de 66%, é irreal que o setor cubra os prejuízos acumulados. As dívidas são muito altas e essa alta teria que ser de uns mil por cento para poder compensar”, afirma.
Ele aponta que a dificuldade de reajustar cardápios afetou 41% dos negócios no último ano, gerando perda de competitividade frente à informalidade. Thiago Machado cobra maior atuação governamental: “Acho que falta compromisso com a principal indústria do nosso estado, que é o turismo”, afirma.
Na ponta do balcão, a realidade varia. Henrique Barbalho, proprietário do Restaurante Sadoche, em Lagoa Seca, comemora a ausência de dívidas, mas aponta alguns gargalos: “Hoje, um dos maiores desafios é o alto custo da segurança privada para oferecer aos nossos clientes uma tranquilidade que deveria fazer parte da realidade da cidade”.
Já Hailton Gazzaneo, proprietário do 294 Bar e Restaurante, em Petrópolis, explica que para driblar a inflação dos insumos os empreendedores precisam adotar algumas estratégias. “Comprar mais barato não está sendo mais suficiente para ter resultado. Criar novos produtos que têm maior margem de lucro é uma alternativa”, diz.
Turismo e hotelaria
Para a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), as projeções para o segmento também são positivas. O presidente da associação, Edmar Gadelha, aponta uma ocupação média em torno de 62% para julho, número que deve crescer com reservas de última hora.
“O Rio Grande do Norte possui uma identidade gastronômica muito forte. Quando hotelaria, bares, restaurantes e demais segmentos trabalham de forma integrada, conseguimos aumentar a permanência do visitante”, destaca.
Grace Gosson, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do RN (SHRBS-RN), estima que a ocupação geral será de 65%, chegando a 70% na quinzena de 12 a 25 de julho. Ela nota um aumento de turistas argentinos e uruguaios, que possuem maior poder aquisitivo. De acordo com a presidente, o setor também enfrenta cenário de margens apertadas.
“O aumento dos custos e a dificuldade de repassá-los integralmente ao consumidor também têm sido sentidos pela hotelaria, seja pelo encarecimento dos insumos, seja pela dificuldade de contratação e retenção de mão de obra”, diz Grace Gosson.
Além de Natal e Pipa, destinos como São Miguel do Gostoso e as regiões serranas (Martins e Serra de São Bento) têm apresentado bom desempenho na hotelaria.
Para o economista Helder Cavalcanti, o grande equívoco é confundir movimento com rentabilidade. “O turista injeta receita em períodos específicos, mas a população local garante a rotina econômica do setor. Se essa base local está endividada, o ganho da alta temporada é rapidamente absorvido pelos meses fracos”, explica.
O especialista ainda alerta para o risco de fechamento de empresas após julho, caso não haja linhas de crédito e um ambiente tributário mais racional.
Buscando mitigar alguns desafios, o poder público aposta na promoção do destino, em eventos e obras estruturantes. O Secretário de Turismo de Natal, Sanclair Solon, destaca eventos como o São João, além de campanhas nacionais e internacionais para atrair mais visitantes e ampliar a movimentação de natalenses em bares e restaurantes.
“Com relação à projeção do fluxo, a gente segue batendo recorde de movimentação nacional e internacional de aeroportos e rodoviárias. Então eu creio que esse ano a gente também tem um grande resultado para o mês de julho, superando as projeções do ano passado”, conclui.




















