Estudos técnicos citados pelo Ministério Público Federal (MPF) revelam falhas graves no sistema de drenagem da praia de Ponta Negra, em Natal, após a obra de aterro hidráulico, conhecida como “engorda”. De acordo com a ação civil pública movida pelo órgão, a estrutura existente não tem conseguido dar vazão adequada às águas das chuvas, o que tem provocado alagamentos, acúmulo de água contaminada e risco de danos ambientais em uma das áreas turísticas mais importantes do Rio Grande do Norte.
A ação se baseia em levantamentos da Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) e da perícia do próprio MPF. Os estudos constataram a ineficiência do sistema de drenagem, apontando a existência de tubulações falsas e galerias bloqueadas com concreto e rochas. Segundo as análises, os 16 dissipadores instalados na praia não cumprem a função de dispersar corretamente as águas pluviais.
Com a drenagem comprometida, a água da chuva tem se acumulado e, em alguns pontos, se mistura à rede de esgotos. Para o MPF, essa situação representa risco à saúde pública, pois favorece a proliferação de vetores de doenças. O problema ganha ainda mais gravidade com a proximidade do período chuvoso, quando o volume de água tende a aumentar e pressionar ainda mais uma estrutura considerada deficiente pelos técnicos.
Outro ponto de alerta é o impacto sobre o Morro do Careca, principal cartão-postal de Natal. Os levantamentos indicam que as inundações podem acelerar o processo erosivo da duna e provocar a perda da faixa de areia recém-ampliada pela obra da engorda. O MPF aponta ainda que o deságue inadequado próximo à base do morro está carregando sedimentos e já causou danos físicos, como a derrubada de cercas de proteção.




















