Toda vez que o palco do Teatro Sesc Sandoval Wanderley for iluminado, a presença de Titina Medeiros (1977-2026) será lembrada. No último 27 de março, Dia Mundial do Teatro, a casa cultural do Alecrim prestou uma simbólica homenagem à atriz seridoense, concedendo seu nome à sala de espetáculos, e exibindo pela primeira vez o documentário “Titina: Alma Livre”. Parentes, amigos, integrantes da classe artística e autoridades estiveram no local sexta-feira pela manhã, celebrando vida e obra de uma das artistas potiguares mais queridas.
A primeira ação da Sala de Espetáculos Titina Medeiros foi toda dedicada à atriz. “O palco do teatro é um solo sagrado que representa todas as artes e expressões. E nosso papel é reconhecer e elevar as pessoas que fazem parte disso. E para nós é uma honra homenagear o legado de Izabel Cristina de Medeiros”, afirmou Gedson Nunes, diretor regional do Sesc RN. Ele ressaltou ainda a tradicional parceria de Titina com a instituição, que participou de vários projetos como o Palco Giratório.
O Teatro Sandoval Wanderley foi reaberto em novembro do ano passado, após ficar 16 anos fechado. E Titina foi uma das artistas mais atuantes na defesa do ‘teatrinho do povo’. O companheiro de vida e palco da atriz, o ator César Ferrario, lembrou o quanto a homenagem da casa é justa. “Posso falar isso, e sem nenhuma prepotência. Titina amava esse teatro e brigou por ele”, diz.
O ator lembra de um período em que o teatro foi colocado em risco, pois houve um projeto que sugeriu a mudança da casa para um lugar mais “apresentável”. “Titina se posicionou abertamente contra. Ela levantou a bandeira mesmo. Foi até à câmara de vereadores de Natal para discutir o assunto. Ela dizia que tirar o Sandoval Wanderley do Alecrim seria um erro terrível, porque o que esse teatro tem de mais potente é pertencer ao Alecrim”, afirma.
César Ferrario acredita que o nome de Titina se tornou uma referência nacional, e tê-lo batizando a sala de espetáculos do teatro do Alecrim é algo que agrega à casa. Mas a sintonia entre eles vai além disso. “Titina já dizia na época que seria a favor de uma possível parceria do Sesc com o teatro para sua administração, pois confiava na instituição. É por isso tudo que agradeço ao Sesc pela homenagem e reconhecimento a ela”, declarou. César, a mãe e a irmã de Titina receberam a placa referente à inauguração da sala.
Alma livre
A emoção extra da cerimônia ficou por conta da exibição do documentário “Titina: Alma Livre”, filme dos cineastas Carito Cavalcanti e Fernando Suassuna, presentes à sessão de lançamento. O filme, de 25 minutos, resgata momentos marcantes da carreira de Titina e evidencia sua contribuição cultural ao estado, entre muitas imagens de acervo do próprio Carito, resultado de sua relação de amizade e trabalho com Titina há mais de dez anos.
A obra inclui cenas nos grupos de teatro Clowns de Shakespeare e Casa de Zoé, além de momentos de bastidores, trechos de filmes de Carito que Titina participou, e material inédito. Há depoimentos de amigos, familiares e colegas de palco e vida da atriz. Nomes como Múcia Teixeira, João Marcelino, Valéria Oliveira, Nara Kelly, Arlindo Bezerra, Tiquinha Rodrigues, Marcílio Amorim, Michelle Ferret, Juci Dias, Roberta Barbosa e Diana Fontes, entre outros.
Carito definiu a produção do filme como um processo de muita emoção. “Titina era assim: se relacionava com as pessoas de maneira verdadeira, intensa e espontânea. O documentário reflete isso. E fazer esse documentário foi também um maneira de continuar me encontrando com ela, através dessas memórias cinematográficas e da celebração da sua existência com os entrevistados”, declarou.
“Mais que um filme, é uma celebração da sua existência que fica, em um filme sensorial, um documentário-ensaio”, disse Carito. Gedson Nunes ressaltou que outras datas de exibição do curta serão programas ao longo do ano, além de ficar em exposição permanente no teatro.




















