Estelionato por meio eletrônico registra aumento de 12,6% no RN

O número de estelionatos por meio eletrônico no Rio Grande do Norte cresceu 12,6% em 2025 em comparação a 2024, segundo dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN), as fraudes mais recorrentes são o golpe do falso advogado e os esquemas que prometem investimentos ou ganhos fáceis com criptomoedas.

De acordo com o levantamento, foram registrados 5.435 boletins de ocorrência por estelionato digital no estado, o equivalente a uma taxa de 157,3 casos para cada 100 mil habitantes.

O delegado Dalmar Oliveira, da Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), afirma que as investigações para cybercrimes costumam ser complexas. “O índice de identificação é expressivo. Boa parte dos autores acaba sendo identificada. No entanto, trata-se de uma investigação complexa e demorada, que exige atenção redobrada dos investigadores, sobretudo pela natureza digital e interestadual dos crimes”, explica.

Também figuram entre os crimes mais comuns as invasões de dispositivos eletrônicos, com destaque para o golpe do falso gerente bancário, em que o criminoso convence a vítima a instalar aplicativos de acesso remoto no celular ou computador.

A atuação de criminosos localizados em outros estados é um dos principais desafios enfrentados pelas forças de segurança. Segundo o delegado, a necessidade de articulação com delegacias de diferentes regiões do país e o cumprimento de prazos processuais tornam as investigações mais demoradas pela dependência de informações e diligências realizadas por terceiros.

Os criminosos costumam direcionar suas ações para públicos considerados mais suscetíveis a abordagens fraudulentas. “Os criminosos miram principalmente idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade, que costumam ter menos familiaridade com tecnologia ou estão em momento de fragilidade emocional”, afirma Dalmar Oliveira.

O crescimento dos golpes digitais acompanha a ampliação do acesso à internet, aos smartphones e aos serviços online, segundo Lucas Cruz, membro da Comissão de Direito Digital da OAB/RN. “Quanto mais pessoas estão na rede, mais atrativo esse ambiente se torna para a prática de crimes”, afirma.

Segundo Cortez, a utilização de dados pessoais e, mais recentemente, de ferramentas de inteligência artificial tem tornado as fraudes cada vez mais sofisticadas. A tecnologia vem sendo usada para criar perfis falsos, conteúdos enganosos

Para evitar prejuízos, ele recomenda que os usuários sempre verifiquem a autenticidade de mensagens, e-mails, ligações e páginas na internet antes de realizar pagamentos ou fornecer informações pessoais. A orientação é buscar canais oficiais das instituições e desconfiar de cobranças urgentes, além de usar a verificação de dois fatores e a troca periódica de senhas. “É importante sempre confirmar a autenticidade de um contato, seja uma mensagem, um e-mail que você recebe, uma correspondência ou mesmo de um site”, explica.

MED amplia chances de recuperar valores após golpes

Vítimas de golpes envolvendo transferências via Pix podem recorrer ao Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado para facilitar a recuperação de recursos em casos de fraude. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o cliente tem até 80 dias após a transação para registrar a contestação junto à instituição financeira.

Em nota, a entidade disse que, após a reclamação, os valores existentes na conta do recebedor podem ser bloqueados para análise e, caso a fraude seja confirmada, devolvidos à vítima. A recuperação, no entanto, depende da disponibilidade de recursos na conta utilizada pelo criminoso.

A Febraban destaca que a versão mais recente da ferramenta ampliou o alcance do rastreamento dos recursos. “O MED 2.0 permite o bloqueio de valores até outras camadas de triangulação do recurso. O objetivo é reduzir a prática das diferentes modalidades de fraudes e golpes utilizando o Pix como meio”, informou a entidade.

Orientações

1 – Acione imediatamente o Mecanismo Especial de Devolução (MED), no caso de transferências via Pix;
2 – Entre em contato com o banco para informar a fraude e solicitar as medidas cabíveis;
3 – Registre um boletim de ocorrência;
4 – Guarde comprovantes, extratos, mensagens, e-mails e demais evidências do golpe.

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